sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Dançando com o Demônio

A menina correu para terminar o seu trabalho escolar o mais rápido que podia. Era a noite do baile do colégio, a cerca de 70 anos atrás, na cidade de Kingsville, Texas. A menina estava tão animada sobre a dança. Ela tinha comprado um vestido vermelho novo e brilhante especialmente para esse baile. Ela sabia que ficaria maravilhosa nele. Ia ser a melhor noite de sua vida.



Então, a sua mãe chegou em casa, pálida e determinada.

-''Você não vai ao baile", disse a mãe.

-" Mas por quê? " a menina perguntou à mãe .

"Acabei de falar com o pastor. Ele disse que a dança será dedicada ao diabo. Você está absolutamente proibida de ir a esse baile", disse sua mãe.

A menina balançou a cabeça afirmativamente, como se ela aceitasse as palavras de sua mãe. Mas ela estava determinada a ir ao baile. Assim, como sua mãe estava ocupada, ela colocou o seu novo vestido vermelho e correu para o KC Hall, onde a dança estava sendo realizada .

Assim que ela entrou no salão, todos os rapazes viraram-se para olhar para ela. Ela se assustou com toda aquela atenção. Normalmente, ninguém a notaria. Sua mãe, por vezes, a acusou de ser muito desajeitada para arranjar um namorado. Mas ela não estava desajeitada naquela noite. Os meninos de sua turma estavam lutando uns com os outros para dançar com ela .

Mais tarde, ela se afastou da multidão e foi até a mesa para obter alguns ponches para beber. De repente, ela ouviu um silêncio repentino. A música havia parado, e quando ela se virou , ela viu um homem bonito, com cabelos negros e roupas pretas, parado ao lado dela.

-"Dance comigo ", disse ele.

Ela conseguiu balbuciar um "sim", completamente atordoada por aquele homem lindo. Ele a levou para a pista de dança. A música se iniciou novamente. Ela se descobriu dançando melhor do que ela nunca tinha dançado antes. Eles eram o centro das atenções de todos.

Então o homem rodopiou ela ao redor. Ela ofegava, tentando sair do rodopio. Mas ele a girou mais e mais rápido. Ela sentiu seus pés ficarem quentes. O chão parecia derreter debaixo dela. Ele a girou ainda mais rápido. Ela estava girando tão rápido que uma nuvem de poeira voou em torno de ambos de forma que eles ficaram ocultos perante da multidão.

Quando a poeira baixou , a menina tinha desaparecido. O homem de preto se curvou  para a multidão e também desapareceu. O diabo tinha estado naquele baile e ele guiou a menina todo o caminho em direção ao inferno.

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

"Axe Murder Hollow"



Susan e Ned estavam dirigindo através de uma zona arborizada no vazio da rodovia. Relâmpagos e trovões rugiram, o céu ficou escuro na chuva torrencial.

"É melhor parar-mos" ( disse Susan. )

Ned acenou com a sua cabeça em concordância. Ele pisou no freio, e de repente o carro começou a deslizar sobre o asfalto escorregadio. Eles 'caíram' para fora da estrada e o carro deslizou até parar no fundo de um penhasco.

Pálido e a tremer, Ned rapidamente virou-se para verificar se Susan estava tudo bem. Quando ela acenou, Ned relaxou e olhou através da chuva encharcando as janelas.

"Eu vou ver se está muito mau", disse para Susan, e quando parou a tempestade, ela viu a sua figura suja no farol, a caminhar ao redor da frente do carro. Um momento depois, ele saltou-lhe para lado, todo molhado.

"O carro não está muito danificado, mas as rodas estão 'cravadas' na lama", disse-lhe. "Eu vou ter que sair para procurar ajuda."

Susan engoliu em seco. Não iriam conseguir nenhum resgate tão rapidamente. Disse-lhe para que desligasse as luzes e fechasse as portas até que voltasse.

Axe Murder Hollow, embora Ned não tenha dito o nome em voz alta, ambos sabiam no que ele estava a pensar quando lhe disse para trancar o carro. Este era o lugar onde o homem tinha pegado num machado e cortado a sua mulher até a morte em um ataque de fúria sobre um suposto affair. E, supostamente, o espírito do machado em punho do marido continuou a assombrar esta zona da estrada.

Fora do carro um grito forte, e um estranho ruído gorgolejante. Susan ouviu-o, mas ela não conseguia ver nada naquela escuridão.
Assustada, ela encolheu-se no assento. Ela sentou-se em silêncio durante algum tempo, e então ela ouve outro som. Bump. Bump. Bump. Era um som suave, como se algo que estivesse a ser soprado pelo vento.
De repente, o carro foi iluminado por uma luz brilhante. Uma voz, que parecia um oficial disse-lhe para sair do carro. 

"Ned deve ter encontrado um policia.", pensou.

Susan abriu a porta e saiu do carro. Quando seus olhos se adaptaram à luz, ela viu, pendurado pelos pés na árvore ao lado do carro, o corpo do Ned. A sua garganta sangrenta tinha sido cortada tão profundamente que ele quase foi decapitado. O vento balançou o seu corpo para trás e para frente, ele bateu contra a árvore. Bump. Bump. Bump.

Susan começou a gritar e correu na direção da voz e da luz. Quando ela se aproximou, apercebeu-se de que a luz não vinha de uma lanterna. Estando lá, em vez de um policia, a figura brilhante de um homem com um sorriso no rosto e um grande, sólido e definitivamente verdadeiro machado nas suas mãos. Ela afastou-se da figura brilhante até que bateu contra o carro.

"Brincando por ai quando eu estava de costas voltadas," sussurrou o fantasma, acariciando a lâmina afiada do machado com os dedos. " Você foi muito impertinente."

A última coisa que ela viu foi o brilho da lâmina do machado, uma luz incandescente.





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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Número 13

A crença na má sorte do número 13 parece ter tido sua origem na Sagrada Escritura. Esse testemunho, porém, tem um intendimento tão incerto que o mesmo algarismo, em vastas regiões do planeta - até em países cristãos - é estimado como símbolo de boa sorte.

O argumento dos otimistas se baseia no fato de que o 13 é um número afim ao 4 (1 + 3 = 4), sendo este símbolo de próspera sorte. Assim, na India, o 13 é um número religioso muito apreciado; os pagodes hindus apresentam normalmente 13 estátuas de Buda. 

Na China, não raro os anuncios místicos dos templos são encabeçados pelo número 13. Também os mexicanos primitivos consideravam o número 13 como algo santo; adoravam, por exemplo, 13 cabras sagradas. 
Nà civilização cristã nos Estados Unidos o número 13 tem muita estima, pois 13 eram os Estados que inicialmente constituíam a Federação norte-americana. Além disso, o lema latino da Federação, "E pluribus unum" (de muitos se faz um só), consta de 13 letras; a águia norte-americana está revestida de 13 penas em cada asa

Na Mitologia Cristã
A crença de que quando o dia 13, cai em uma sexta-feira, é dia de azar, tornou-se a mais popular superstição entre os cristãos. Há muitas explicações para isso. A mais forte delas, seria o fato de Jesus Cristo ter sido crucificado em uma sexta-feira e, na sua última ceia, haver 13 pessoas à mesa: ele e os 12 apóstolos.

Mas antigo que isso, são as duas versões que provêm de duas lendas da mitologia nórdica.

Na Mitologia Nórdica
Encontramos esta superstição na mitologia nórdica, onde Odin, deus de Asgard, ofereceu a seus convidados, um banquete no Valhalla (uma espécie de paraíso nórdico), para o banquete Odin, havia convidado 12 deuses, e acabou deixando de fora Loki. 

Loki (espírito do mal e da discórdia) enfurecido foi até o banquete e estava tentando participar de todas as formas, isto traria um total de 13 pessoas a mesa, o que já era tido como impróprio e sinal de mal sorte. Ele influenciou Hoder, irmão mais novo de Balder, a iniciar uma briga contra seu irmão, e assim o matando-o com uma flecha .

Daí veio a crendice de que convidar 13 pessoas para um jantar era má sorte sem duvida.

Segundo outra lenda, Friga, a deusa do amor e da beleza era (que deu origem à palavra friadagr = sexta-feira), se reunia todas as sextas com 11 bruxas e o demônio e os 13 ficavam rogando pragas aos humanos. Pois quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, a lenda transformou Friga em bruxa. 

Mito Recente
Conta-se que no ano de 1898, um empresário inglês chamado Woolf Joel, promoveu um jantar, e teria 14 convidados, porem um de seus convidados não pode comparecer, e cancelou sua presença no ultimo minuto. O empresário, ignorou os mitos com relação a ter apenas 13 pessoas a mesa, e deu segmento a seu jantar. Três semanas depois, Woolf viajou para Africa do Sul, e foi morto a tiros. Desde então o hotel Savoy, não permite que grupos com 13 pessoas realizassem refeições, incluindo a mesa um funcionário para completar 14 pessoas. Porém em 1920 o hotel encomendou uma linda estatua de um gato preto chamado Kaspar, desde então o gato vem sendo utilizado para compor a mesa.


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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Marquês de Sade

Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade foi um aristocrata francês e escritor libertino. Muitas das suas obras foram escritas enquanto estava na Prisão da Bastilha, encarcerado diversas vezes, inclusive por Napoleão Bonaparte. De seu nome surge o termo médico sadismo, que define a perversão sexual de ter prazer na dor física ou moral do parceiro ou parceiros. Foi perseguido tanto pela monarquia (Antigo Regime) como pelos revolucionários vitoriosos de 1789 e depois por Napoleão.


Sade era um nobre. Filho de um conde diplomata e militar, ele nasceu em junho de 1740 no palácio de La Coste, em Paris. Seguiu a carreira militar e, aos 16 anos, lutou na Guerra dos Sete Anos, na qual a França e a Áustria disputaram com a Inglaterra e a Prússia territórios e destinos comerciais. Quando voltou do conflito, foi obrigado pelo pai a casar-se com Renée-Pélagie de Montreuil. Filha de uma família de nobreza recente e com influência na corte, Renée tinha dois problemas, que se tornariam as perdições da vida de Sade: uma mãe muito poderosa e uma irmã mais jovem e mais bonita.

O primeiro escândalo na vida do marquês ocorreu cinco meses após o casamento. Em outubro de 1763, foi acusado pela prostituta Jeanne Testard de obrigá-la a renegar Deus e a realizar “atos de sacrilégio” com imagens cristãs enquanto mantinham relações sexuais. Acabou preso, mas, graças à influência da sogra, ficou na cadeia menos de um mês. A sogra ainda o livrou da forca em 1772, quando Sade intoxicou uma prostituta – quando em uma festinha ele ofereceu um bombom com um licor afrodisíaco e ela quase morreu.

Sua esposa sabia de suas traições, mas, mesmo assim, se manteve a seu lado por 27 anos, além de dar-lhe três filhos. Um deles, Donatien-Claude-Armande, queimou quase todos os manuscritos e correspondências do pai após sua morte. Se Renée fechava os olhos para as traições do marido, o mesmo não fazia sua mãe. De protetora, a sogra passou a perseguidora quando Sade revelou que mantinha um caso com a cunhada, Anne-Prospère. O casal fugiu para a Itália. Ela conseguiu localizá-los e pediu ao rei da Sardenha em pessoa, Carlos Emanuel III, que expedisse uma ordem de prisão contra o marquês – embora sem acusação alguma. A sogra ainda se incumbiu das despesas de seu cárcere forçado na fortaleza de Miolans, em Savóia, entre a Itália e a França. Em abril de 1773, o marquês conseguiu fugir.

Em 1775, uma orgia envolvendo empregados do castelo, Sade e a própria mulher, Renée, veio à tona. O processo foi aberto pelo pai de uma das criadas que participaram da festa – além de enfrentar o marquês nos tribunais, ele deu dois tiros em Sade, que se salvou graças à má pontaria do atirador.

Em janeiro de 1777, a sorte do nobre mudou. A sogra conseguiu que o rei emitisse uma carta de prisão, chamada lettre de cachet. Dessa vez, por 13 anos. E também sem um crime propriamente dito.

Na prisão passou quase um terço da sua vida, lendo muito e foi onde produziu toda sua abra.

Além de escritor e dramaturgo, foi também filósofo de ideias originais, baseadas no materialismo do século das luzes e dos enciclopedistas. Sade era adepto do ateísmo e era caracterizado por fazer apologia ao crime (já que enfrentar a religião na época era um crime) e a afrontas à religião dominante, sendo, por isso, um dos principais autores libertinos - na concepção moderna do termo. Em suas obras, Sade, como livre pensador, usava-se do grotesco para tecer suas críticas morais à sociedade urbana. Evidenciava, ao contrário de várias obras acerca da moralidade, princípios contrários ao que os "bons costumes" da época aceitavam; moralidade essa que mostrava homens que sentiam prazer na dor dos demais e outras cenas bizarras, que não estavam distantes da realidade. Em seu romance 120 Dias de Sodoma, por exemplo, nobres devassos abusam de crianças raptadas encerrados num castelo de luxo, num clima de crescente violência, com coprofagia, mutilações e assassinatos - verdadeiro mergulho nos infernos.

Duas personagens criadas por Sade foram suas ideias fixas durante décadas: Justine (que se materializou em várias versões do romance, ocupando muitos volumes), a ingênua defensora do bem, que sempre acaba sendo envolvida em crimes e depravações, terminando seus dias fulminada por um raio que a rompe da boca ao ânus quando ia à missa, e Juliette, sua irmã, que encarna o triunfo do mal, fazendo uma sucessão de coisas como matar uma de suas melhores amigas lançando-a na cratera de um vulcão ou obrigar o próprio papa a fazer um discurso em defesa do crime para poder tê-la em sua cama. As orgias com o papa Pio VI em plena Igreja de São Pedro, no Vaticano, fazem parte da trama sacrílega e ultrajante do romance Juliette, com a fala do pontífice transformada em agressivo panfleto político: A Dissertação do Papa sobre o Crime. Sade tinha o costume de inserir panfletos político-filosóficos em suas obras. 

Na velhice, já separado de Renné, sua primeira mulher, mas, como sempre, preso por causa de suas ideias e de seu comportamento libertino, foi amparado pela atriz Marie-Quesnet, que se mudou com ele para o Hospício de Charenton. Nessa época, sob o olhar tolerante de Marie-Quesnet, enamorou-se da filha de uma carcereira que tinha 14 anos quando o conheceu. Todos esses fatos estão rigorosamente documentados por Gilbert Lely, o mais importante biógrafo de Sade, compilador de suas cartas e autor do clássico 'Vida do Marquês de Sade'.

Sade morreu aos 74 anos, amado por duas mulheres, com quem planejava produzir peças teatrais pornográficas quando um dia saísse do hospício.

Tanto o surrealismo como a psicanálise encamparam a visão da crueldade egoísta que a obra de Sade expõe despudoradamente. Um exemplo de influência do Marquês de Sade na arte do século 20 é o cineasta espanhol Luis Buñuel, que em vários filmes faz referências explícitas a Sade: em A Idade do Ouro, por exemplo, retrata a saída de Cristo e dos libertinos do castelo das orgias de Os 120 dias de Sodoma. O sadismo também está explícito nas imagens mais surrealistas produzidas por Buñuel, como a navalha cegando o olho da mulher em O Cão Andaluz. Também há fortes referências sadianas em A Bela da Tarde e em Via Láctea, no qual aparece uma Cena em que Sade converte uma indefesa menina ao ateísmo.

A influência de Sade pode ser notada também em autores como o dramaturgo francês Jean Genet, homossexual, ladrão e presidiário, que retoma muitos dos temas do marquês, também desenvolvidos em ambientes carcerários franceses.
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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Ira de um Anjo


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